quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Irene - Rodrigo Amarante



Saudade, eu te matei de fome
E tarde, eu te enterrei com a mágoa
Se hoje eu já não sei teu nome
Teu rosto nunca me deu trégua

Milagre seria não ver
No amor, essa flor perene
Que brota na lua negra
Que seca, mas nunca morre

Verdade, eu te cerquei de longe
E tarde, eu encostei no medo
Se ontem eu cantei teu nome
O eco já não morre cedo

Milagre seria não ter
O amor, essa rima breve
Que o brilho da lua cheia
Acorda de um sono leve

Irene
Irene ri

É sobre a falta, um amor que não se consegue esquecer. Quando digo que já não sei o nome dela, é que ela pode ter se casado e mudado de nome. O nome dela eu sei, é Irene. Escolhi esse nome porque é uma referência à ‘Irene’ do Caetano [Veloso], e à do Ciro Monteiro. No caso do Caetano, é a mulher que em exílio ele imaginava sorrir, o símbolo do amor que ficou do outro lado do continente. Para mim, ela representa os amores que tive de largar cada vez que me mudei e inventei coragem de recomeçar na infância - porque na infância eu já amava muito intensamente. A Irene é um amor irrealizado que jamais vai morrer. É um nome que abrange essa mulher, que não precisa ser mulher. Pode ser um lugar, uma memória que ficou e não se apaga.”

- Rodrigo Amarante.

Fonte: Rodrigo Amarante comenta as onze faixas do novo disco, Cavalo · Rolling Stone (uol.com.br)