domingo, 9 de outubro de 2016

Mar

Às vezes, durante as crises, é difícil enxergar alguma coisa bonita e real. É difícil enxergar como o jeito que sinto a vida, o mundo e as pessoas é bonito, porque eu só enxergo os nós, só enxergo as pontas quebradas, só enxergo os laços desfeitos. Nesses momentos eu queria desaparecer, sair do corpo e me olhar de longe. Bater bem forte minha cabeça na parede pra ver se toda essa intensidade diminui pra eu voltar a me sentir leve. 

Eu queria me sentir como oceano, que tem seus mistérios nas profundezas mas que te encanta, mas eu me sinto como aquela onda que te pega de surpresa e te puxa pro fundo, te deixando com medo de entrar no mar de novo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

saudade

“Alguma coisa, de repente, aconteceu comigo e perdura até hoje, intocada: o meu amigo viveria enquanto eu vivesse, apesar de estar morto. Eu lhe emprestaria minha vida, pois ela seria bastante para os dois.

Mas algo meu também tinha de morrer naquele instante, por pura cumplicidade. Entretanto, não morreu ali, na hora. Vem morrendo aos poucos, até hoje, de um jeito ou de outro, até mesmo agora, ao escrever estas coisas, enquanto, da minha parte, de um jeito ou de outro, até mesmo agora, escrevendo estas coisas, vou mantendo-o vivo.

(…)
A morte injusta o fez dormir e, gentilmente, por piedade ou remorso, o levou em sonho. Não houve tempo para o adeus, poupando-o da maior dor de partir. O morto que nos deixou, humilde coisa usada, é diverso. Através das lágrimas, dá-se a difração do que era vivo, multiplicando-o nas unidades fundamentais. O silêncio e a ausência tornaram-nas irrecomponíveis. O que já existia antes e existirá sempre inutilmente continua intocado, apesar do morto querido parecer excedente.
Meu amigo está morto. Olho-o longamente sem compreender. Nada do que vejo o identifica a meu amigo morto e a meu amigo vivo em mim. Não os posso aceitar dessa forma divididos, diferentes e incomunicáveis. As lágrimas vão secar, mas a difração continuará para sempre.
Já não há mais meu amigo morto, fora ou dentro de mim. Trago-o apenas vivo, atrás dos olhos e antes de cada gesto. Duro e inaceitável é não estar mais depois dos dele e ao alcance de suas mãos.”

Trecho do conto “Uma vida para dois” do livro “Ame e dê vexame” de Roberto Freire.

Pra minha linda amiga Nicole, que vive em mim.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

27 de agosto de 2016

A minha vida parece uma grande montanha-russa de momentos de tranquilidade e ansiedade. Eu vivo com uma pressão gigante na minha cabeça que tenta me derrubar. Eu tento e tento lutar contra, estou em constante batalha contra meus medos. Queria não ter esse medo, queria paz de espírito, não criticar mais meu jeito o tempo inteiro.

A ansiedade me castiga, me esmaga, me quebra em mil partículas. É uma luta cansativa e solitária, por que sei que só eu mesma posso me libertar desse sentimento – de sair do buraco. Eu sei que preciso e devo procurar ajuda, que preciso desabafar, que preciso me abrir mais, mas o medo me fecha e eu não sei como lidar.